tão baixo que nem tristeza nem alívio chegou a ser
esvaziou-se em sopro
resvalou oco nas catacumbas do que não se alcança
os pulmões encheram-se de noite enquanto o céu fingiu escapar-se
há silêncios que duram sempre mais um pouco
que se alongam para lá do suposto até finalmente cederem
não se pode adiar o inevitável
existe um prazo fixo para as demoras
os fogos ardem apesar dos jejuns e das promessas dos homens
eles projetam sombras até o dia nascer
desenham sobre as colinas e as encostas silhuetas e mensagens por descodificar
as poeiras de leste vão pousando sobre a terra depois de rodopios sem fim
o tempo coalha até fixar-se numa lembrança difusa
os versos carregam incertezas antigas
não se sabe se já terão sido escritos ou se ainda estão por nascer
e nas asas dessa dúvida desenham voos em parábolas no firmamento
esvoaçam até terem voz que se petrifique e se grave nos diários da existência
não se explicam os murmúrios que ascendem do chão nas noites de verão
nem as chuvas repentinas que caem numa véspera qualquer
há sempre um depois de amanhã nos calendários secretos da poesia
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