nunca se sabe

lado a lado caminhávamos pela rua

era tarde e já muito tínhamos bebido

numa esquina uma vitrine de antiguidades
ao passar ele piscou o olho lá para dentro
perguntei-lhe a quem

respondeu

ao buda

qual buda

um buda sorridente junto à janela
não viste
perguntou

não tinha visto não

pisco sempre o olho aos budas
nunca se sabe