o dia dela
eu a vê-lo desde uma véspera em que não a conhecia sequer
uma ignorância órfã feita deserto
que acabou por esgotar-se na silhueta de luz que a revelou
um sol oblíquo a insistir no horizonte
a desenhá-la para lá de mim
tatuando-a num solstício que não acaba nunca
o dia dela
então
a pedir-me que lhe escreva
esquecendo que quando escrevo
seja o que for
contém sempre um eco que a busca e a anseia
o dia dela
a pedir-me que diga aos astros a razão de hoje estarem onde estão
de lhes lembrar que estariam eles num outro lugar não fosse hoje o dia que é
ou estando eles no mesmo lugar lhes faltaria o propósito
e é sabido
sem propósito não há órbita que se sustente