desbrava o caminho como se ninguém antes de ti por lá se lançara
até porque
na verdade
ninguém foi antes de ti
e mesmo se foi
não foi com os teus pés nem com os teus olhos
por isso
cada um é pioneiro de si mesmo a cada instante que passa
és o hóspede de um assombro
aproveita mas sê respeitoso
com a devida vénia prepara o uivo que é impossível de domar
bebe o essencial e o supérfluo sem distinção
pois a estrada é longa como as noites de febre e de silêncio
e um dia
lá na frente depois de várias marés terem ido e regressado
as tuas mãos serão diferentes e iguais
ignorantes e sábias
com as mesmas dúvidas e repletas de outras certezas
será evidente então
que nem a estrada acaba
nem o anseio de a encetar se extingue
tudo fica por fazer e nada se completa
não há melhor indício de que a eternidade está mesmo ali
ao alcance de uma intenção e de uns quantos atabalhoados versos