ir por aí até onde se pode
porque o caminho não acaba nunca
e ir até onde se pode será o limite
mas e ir para lá
pergunto
ninguém responde
porque para além de ninguém saber
não há sequer saber para revelar
sim
é um emaranhado cognitivo
uma impossibilidade a pulsar na permissa
como os paradoxos inquebráveis que aqui e ali se instalam no correr do tempo
mais do que o desconhecido
é pressentir que para além dele ainda há mais qualquer coisa
um lugar inominável e incomensurável
pois nem as palavras nem as medidas fazem sentido
vai-se até onde se pode e depois imagina-se onde se poderia ter ido
mas o que sobra ainda depois disso
não se nomeia nem se contempla
até a poesia começa a falhar quando se acerca dessas coordenadas
talvez o amor
talvez a gratidão
talvez a solidão e o silêncio
talvez essas coisas aflorem esse impossível
quem sabe se não são as manifestações de uma realidade que ainda estamos a aprender
quem sabe se quando se calam e apagam
este lado de cá se desmorona
pois nada se aguenta sem sustento
e talvez por isso
mesmo depois de se ter ido até onde se pôde
a alma humana acaba sempre por aspirar em ir mais além