existe a possibilidade de um traço encontrar um caminho
ele que pernoita há mil anos
anseia por esse escape para finalmente revelar-se à luz
na tela
os contornos de um barco e o eco de um reflexo tímido a vibrar até à mudez
à volta
uma manhã que se esgotou então
para renascer na voz de uns versos e nas leituras ocasionais do futuro
estas coisas não têm princípio nem fim
são oscilação entre silêncios e declamações
intermitências nas ondas rádio que soluçam no éter
ao largo
a embarcação aguarda ainda
a vela órfã de brisa e o leme sem corrente para singrar
a maré tarda e à deriva ficamos nós
sem rumo nem rota
só a espera suspira qual prece em forma de murmúrio
e o que sobra é horizonte por onde a vista se lança para por lá se perder de vez