escondidas num qualquer armário esquecido durante décadas
escurecendo a golpe de pó e a restos de lembranças
secando até serem quase pedra nas esquinas subterrâneas
a memória desconstruída
agarrando-se só a um pedaço vago de reminiscência
os deuses arrependidos desta nossa suposta fragilidade
desculpando-se ao oferecer-nos desejos e falsas promessas
não sabem eles
que tanto vale cumprir uma jura como quebrá-la
que os dois caminhos podem levar à demência
fomos dominando a arte de perder
perder alcance no olhar
perder labaredas nos fogos silenciosos da alma
perdendo sono quando a noite é densa e muda
no entanto
nessa arte
revelámos o aracnídeo incansável que une todas as coisas
mesmo que falando pelo caos e numa cacofonia difícil de decifrar
há uma disciplina movida por um instinto mais antigo que cronos
uma resiliência paciente tecida ao ritmo dos nossos corações
até que um dia deixe de pulsar nos intervalos que caibam numa existência



