os dias quando acabam
na maior parte das vezes
esfumam-se na rotina
outros memoráveis tatuam-se na memória e fintam esses fins
mas há outros ainda
que antes do término
quando a noite galopa por mais uma janela de um quarto de hotel
se despenham de uma só vez
como um machado a cair num pedaço de madeira decepando-o sem dó
ou um piano clássico a defenestrar-se dum vigésimo andar e a esbardalhar-se no chão que o acolheu
um abalroamento tão repentino
que o dia parece implodir de uma vez
como aquelas estrelas massivas que de tão densas nem a luz deixam escapar
dias que de tanto acabar
entram pelo sono dentro
e só nos sonhos é que enfim encontram a sua sepultura
