existem sombras feitas de luz e de cor
são a luminescência mais o eco por onde passou
e derramam um esboço líquido que tinge um destino numa escrita por decifrar
um plasma que se recusa moldar
vibra e contorna texturas que encontra no desaguar
o que traz é declamado em mistério
em código abstrato órfão de uma chave que o revele
joga nesse limite do que parece e do que verdadeiramente será
por vezes
o passar do tempo resvala como as brisas
têm tacto e afago subtil
como aqueles momentos de leve embriaguez em tardes lentas
um olhar que se dissolve pelo que vê
agregando-se por uma osmose literária ou somente emocional
os pequenos milagres inúteis da existência
ainda assim tão necessários ao deslumbre e ao pasmo
uma alma resiste a tudo
menos à falta de um assombro de quando em vez