pelos vistos
nascera no reflexo de um espelho
um e outro
apesar da distância entre eles
iam vendo os contornos do corpo a aparecer e a desaparecer
silhuetas apressadas a serem engolidas pelos limites do espelho
quando o acaso fê-los cruzarem-se
abordaram timidamente o assunto
quer um quer outro hesitavam em mencionar esse mar de fantasmas
os brilhos que faiscavam num ápice cortando o negrume da noite
as sombras que desvaneciam num repente para reaparecerem logo de seguida num outro
sem chegarem a uma decisão
esperaram até que o acaso os descruzasse
haveria outros detalhes com que cismar
e nenhum era partilhado pelos dois
mas sobrava o reflexo do espelho quando nem um nem outro o olhavam
desconheciam o que haveria lá sem eles
o detalhe sem dono não sendo dum nem sendo do outro
ficaram com a pergunta a remoer
onde não há testemunhas será que lá chegam palavras
será que esse lugar sem ninguém é ainda assim um lugar
não o saberiam nunca
a essas coisas nem a poesia lá chega nem o silêncio alcança
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