antes que escape de vez o embalo
do que será uma versão ébria de inspiração
remeto-me ao relato do que eventualmente não fará grande sentido
para que não desapareça no anonimato definitivo do esquecimento
existem coisas que perdem importância quanto mais se pensa nelas
esgotam-se numa burocracia emocional até serem arquivadas numa gaveta que vira calabouço
como escolher entre guardar um segredo ou contar uma mentira
repito
as coisas vão perdendo importância quanto mais se pensa nelas
diluem-se pelo tanto que são encharcadas de raciocínio
esfarelando-se nos meandros de uma ideia e mingando no horizonte do discernimento
conheço gente que diz saber o nome das estrelas com um simples vislumbre do céu
outra que se sente segura por estar longe de pessoas
outra ainda que penhorara o futuro
ou que vende o passado numa feira imaginada onde não passa ninguém
há de tudo em todo o lado a toda a hora
e é essa sinestesia de mundo que rodopia pelas cartas de adivinhação
e se há de tudo em todo o lado a toda a hora
nunca ninguém se engana
nunca ninguém está só
nem nunca ninguém morre
nunca ninguém acerta
nunca ninguém comunga
nunca ninguém existe
estas coisas são o que são
e aquilo que é o que é tem a força do inevitável
que não se pense que existe outra escolha que não seja ser
não há fuga para o que é um assombro
nem esconderijo para o que invariavelmente nos encontra
Sem comentários:
Enviar um comentário