ou pelo menos uma variação de um duelo
porque desde que houvesse sangue e um arrependimento depois
tudo voltaria ao lugar e a história viveria uns anos nos relatos ébrios da aldeia
tudo começou umas horas antes
era de noite quando uma pedra resvalou pela falésia
isto depois dele a ter empurrado com o olhar durante horas
quando contou a peripécia o mais calado da plateia não acreditou
olhou para o lado bocejou e sorriu ao de leve
o narrador ofendeu-se e sacou da faca
o outro levantou-se e fez o mesmo
em três lances a coisa resolveu-se
o primeiro lampejou numa centelha rápida
o segundo cortou o ar num silvo curto e firme
o terceiro foi um suspiro que num ápice atravessou a garganta de um deles
um caiu o outro saiu
ninguém sabia quem era quem
se o silencioso se o telepático que empurrava pedras com os olhos
o que sobrou foi o calor que nunca esmorecia
o bafo às portas de um inferno difuso onde as lembranças se fundiam com as lendas
já o sangue
esse
ainda hoje jaz e faz de sombra no chão do café
como um poço sem fundo
de onde nem os versos escapam
quanto mais um relato que faça sentido
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