mas quem sabe se é verdade uma conclusão antes do tempo
este novo início estende-se por um outro infinito
há todo um deserto por cobrir com palavras
e elas esperam algures
ou se não esperam hão de surgir de um nada sem nome
é sempre assim
não só quando por um acaso o caminho parece ser outro
como num novo amor depois de um que se estilhaçou
ou numa esperança quando as portas da escapatória se fecharam
o que não falta é eternidade para que as coisas aconteçam
até mesmo para que as que já aconteceram antes voltarem a acontecer outra vez
sim
há nuances
originalidades
mas nada é realmente novo
e o que parece ser novo é tão só fruto de um esquecimento
que diferença faz
se uma coisa já foi ou se voltou a ser
se não há memória de que já tenha sido
os labirintos da alma estão ligados pela intuição de que tudo já aconteceu
ou
quando muito
de que o que acontece tinha forçosamente de acontecer
talvez sejamos filhos de um destino
ou órfãos de um propósito
não interessa
sobra sempre o que é inevitável
sermos nós mesmos e não um outro
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