meio norte
não demasiado mas não tão pouco também
era uma lembrança a insistir
de que à volta
havia mar
e de que por dentro
havia fogo
que se o mar parecia imenso
já o fogo nem fim parecia ter
de dentro
a espaços
a terra soluçou e despejou mais mundo no mundo
escorreu em pedra líquida que depois estagnou em basalto
seguindo curvas e contracurvas e o rumo lento mas decidido da gravidade
pela pele dessa ilha
rugas mais antigas ao lado de lisuras mais recentes
o que a sina dessas mãos telúricas contava
eram epopeias feitas de mitos e lendas e deuses mais velhos que a noite e o dia
por fora
ao longe
quando o vento chegava de leste
trazia a calima africana
as areias finas do deserto que iam chovendo
qual bruma seca de sal cinza e poeira que levantava uma sede de loucos
quem sabe se não foi isso que levou a que até vinhas se plantassem por entre o pó queimado
em covas ovais protegidas das brisas para colher sol o ano todo
à noite
os sons eram engolidos pelas crateras e cavernas
o silêncio emanava do próprio solo
com ritmos que vibravam pelo ar estremecendo até ás estrelas lá no alto
e então
era quando regressavam as sombras de antanho
ora piratas e corsários ora marinheiros ou náufragos
que pela madrugada fora
bebiam cantavam
e uivavam
até a lua não caber mais no céu
Sem comentários:
Enviar um comentário