há quem escreva para lembrar
e há quem escreva para esquecer
não sei se as diferenças serão muitas
o céu não deixa de ir correndo
ora mais longe e azul
ora mais perto e pardo
os monumentos navegam os mesmos mares
seja com rota e destino traçados
seja à deriva condenados a um naufrágio
o que dizer quando se mergulha num olhar
que não sejam palavras forjadas num fogo invisível
um
amo-te
um
perdoa-me
um
por onde me levas
estas coisas têm lume próprio e ardem há mil noites
nós vamos estando por aqui à procura de pasmo para contemplar
e de quando vez temos a sorte de ouvir um riso rebentar numa tarde de sol
de partilhar um sentimento de irmandade que nos eleva para lá de uma solidão
e ao recordar ou deslembrar
percebe-se que são face de uma mesma moeda
uma troca cujo o equilíbrio é intransigente
onde um cede o outro conquista
mas no fim
ninguém esquece do que se lembra
nem se lembra do que esquece
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