o passado imiscui-se como um cavalo de tróia
conspirando no presente através de um reflexo inesperado
sabotando o futuro ao ditar lições difíceis de contradizer ou contrariar
o pretérito
na condição de ter já acontecido
esconde-se nessas cavernas de imutabilidade
mesmo quando a artilharia dos revisitadores bombardeia
ou o esquecimento se propaga irremediável
sobra sempre qualquer coisa
um lampejo do que já foi insiste incondicionalmente
revela-se
seja numa ameaça ou numa promessa
que se cumpra ou simplesmente paire até enlouquecer cronos
não podemos escapar ao que fomos
daí sermos o que somos
e nesta conjugação dos modos verbais
todo o universo dança numa coreografia inevitável
não é bem que o destino esteja traçado
é que o destino já aconteceu
e o reflexo afinal somos nós
Sem comentários:
Enviar um comentário