existem estradas que não acabam
e na verdade
se calhar nem começam
ou se começaram esse início extinguiu-se em olvido
como as coisas que não se dizem
que nunca se disseram e que nunca se vão dizer
ou se se disseram foi por dentro
num fundo tão remoto que não há alento que chegue para que de lá saiam
estradas assim não levam a lado algum e levam para todo lado
transcendem a própria viagem
são uma peregrinação abstrata e regida por outras leis
os trechos que por um acaso nos calham
estão cheios de eternidade e de impossíveis
açambarcam o mundo numa vertigem que fulmina
e ao longe dançam miragens indecifráveis
essas estradas não são feitas de lugar
e até mesmo o tempo que as compõe toca num outro ritmo
oscila entre um pretérito e um futuro independentemente da direção
no fundo
as estradas que não acabam
prolongam-se para sempre
para que tudo possa caber
até mesmo aquilo que ainda nem é
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