mas parece provável
que no fim a entropia terá a última palavra
e que provavelmente não será sequer uma palavra
ou então
as letras estarão tão distantes que nem uma leitura será possível
parece inevitável que as coisas se dispersem
porque há demasiado para onde ir para que se fique nos lugares de sempre
deve ser isso
há um escape para cada coisa
e dentro de cada coisa outras coisinhas há que irão escapar
e assim sucessivamente
independentemente do que acharmos
não há como calar o rebelde que habita em cada pedaço do que aqui anda
ele vive numa espera calculada
sabe que isto não passa de um instante
o mar
as montanhas
as órbitas
os campos eletromagnéticos
os desejos e os beijos que nunca se chegaram dar
tudo isso
está preso ao tempo e ao espaço em que se move e acontece
tudo isso se consome até que as portas se abram e por elas tudo se desmorone e se precipite
escoando até que o universo seja um lugar feito de quase silêncio
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