eram quase sempre as mesmas
e de vez em quando
umas outras que só raramente iam luzindo a horas tardias
também se dedicava a acompanhar as sombras
ia espiando-as
vendo-as esticarem-se até ao ocaso as engolir numa penumbra indiferente
outras vezes
passava horas ao espelho com um único propósito
esperar que o próprio reflexo desaparecesse
e assim assistir ao despenhar do infinito nos dois sentidos sem o obstáculo dele a existir no meio
é que o tempo tropeça em nós
como uma pedra que cai num rio
ou uma lomba no final de uma descida
estas coisas definem o universo
as manias
as cismas
os devaneios
as exceções
os versos que sobrevivem
enquanto tantos outros nascem e morrem num instante
uns porque hesitam
outros porque não encontram as palavras que os sustentem
e ele nem era poeta
calhava de estar por ali
de ter estado por ali
de ir estando por ali
de vir a estar por ali
Sem comentários:
Enviar um comentário