como o universo
tem o seu fim onde não há propriamente fim
mesmo quando consome a madrugada inteira
e o dia nasce pelo corte do horizonte
ela então começa por debaixo da pele
subterrânea e secreta
dissimulada por entre os arrepios e os rasgos de uma inspiração efémera
quando se eleva num voo lucífugo
usando as correntes de ar vindas de um sopro divino qualquer
esquece a cidade em baixo
parece-lhe
à distância
ébria e geométrica
é para o abismo celeste que mergulha
nadando pelo céu aqui e ali sardento de estrelas
e é por dentro
num outro tipo de abismo
que trepa pelas paredes das insónias de um poeta
e apócrifa se rende aos versos
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