dia 52 - profecia

voos há
que são lidos antes de serem escritos
elevam-se etéreos pelos céus de uma aparição

e o poema à espera
adiado não para a frente mas para trás
suspira por dentro
claustrofóbico
a fazer um luto de algo vivo

como se os versos dobrassem até a um limiar indizível
vergando mas nunca quebrando

perderão quem sabe a pose
mas não a voz nem o propósito

pois momentos há na vida em que se parte
outros em que se volta
e nos regressos
sentado em casa
um eu espera
ou um outro
alguém
sempre alguém

por cima
nos altos
envolvida pelo azul denso da manhã
a silhueta subtil de um presságio indecifrável mas concreto

a profecia destes versos que agora tropeçam


ps - céu na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, Brasil, agosto 2023

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