voos há
que são lidos antes de serem escritos
elevam-se etéreos pelos céus de uma aparição
e o poema à espera
adiado não para a frente mas para trás
suspira por dentro
claustrofóbico
a fazer um luto de algo vivo
como se os versos dobrassem até a um limiar indizível
vergando mas nunca quebrando
perderão quem sabe a pose
mas não a voz nem o propósito
pois momentos há na vida em que se parte
outros em que se volta
e nos regressos
sentado em casa
um eu espera
ou um outro
alguém
sempre alguém
por cima
nos altos
envolvida pelo azul denso da manhã
a silhueta subtil de um presságio indecifrável mas concreto
a profecia destes versos que agora tropeçam
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