fosse olhando para o céu
ou olhando para qualquer outro lado
nas ruas sujas
nas paredes dos corredores dos hotéis
nos salpicos da chuva numa camisa
ao espelho de manhã quando ainda a poeira da preguiça ondulava
tinha sonhos onde pássaros debicavam essas estrelas
voando pelo sono
planando pela febre que ia sentido crescer
e quando o incêndio do delírio lavrava para lá do corpo
o universo invertia-se
era agora um plano branco e deserto
onde os próprios pássaros faziam de astros
e ninguém saberia dizer
se em suas órbitas oníricas
estariam a entrar numa rota de colisão eventual
ou se o doente
desta vez
não acordaria mais
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