ninguém sabe ao certo
o que contou esfumou-se em penumbra
como um lago escuro onde a água engole a luz em vez de a refletir
e é quase sempre noite
o mundo engolira-o a dada altura
disse
soterrado num sítio onde o tempo era de terra e pedregoso
os dias
se passavam não davam conta a ninguém
e o corpo esquecia-se de si mesmo
possuído por uma seiva que pulsava por veias inomináveis
hoje
não se sabe se alguma coisa mudou
embora o corpo já se lembrasse
pois doía-lhe num âmago qualquer que hesitava em ter lugar
estas coisas
diz quem sabe
revelam-se em incompreensões
e mais do que um mistério
são vestígios de uma humanidade
para a qual ainda não se encontrou a chave que a decifre
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