e como a luz das estrelas que nos chega
o que vemos deles vem com um atraso que não se alcança
porque a memória é líquida e escorre para o lago imenso do esquecimento
eles onde parecem estar
já não estão mais
e o céu é outro e as nuvens ganharam novas formas no éter
quem sabe se não é no escuro que o presente se alinha
talvez o universo faça finalmente sentido quando toldado pelo breu
e as distâncias se esfumem de uma só vez
os errantes chegariam ao destino
esgotando o caminho que nunca pensaram ter fim
ao longe eles permanecem
num engodo que a lembrança não acaba nunca de engendrar
movida por uma fome nascida de uma teimosia
de que cada instante se julga uma eternidade
mas tudo acaba por se desbotar
até que o que o sobra
é miragem a vibrar pelo calor de um verão antigo
ps - Lanzarote, Canárias, agosto 2015
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