falavam da vida e de um modo de engolir o tempo como um dever
quem sabe se essas lábias não serviam de refúgio
como o herói que deixava que o celebrassem
para que os rostos dos mil inimigos que às mãos dele morreram
não o assombrassem à luz das insónias
em vão
tanto para o herói como para elas
a espera era inevitável
e não era de hoje
mas desde sempre
um gemido contido ao fundo
as unhas a cravarem o próprio tecido do universo
até o rasgar
pode ser que por essa fenda
o esgar tenha mundo que chegue para que se dilua
e a fúria possa enfim bramir sem freio até que se esgote o sopro
neste lugar
tudo cabe
só nada se cumpre
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