cabe o mar
por vezes
num reflexo fortuito
como muitas vezes não cabe na alma
quando transborda em sonhos onde sem rumo fundeamos
dando à costa das insónias um náufrago mais
os barcos aí desenhados
parecem nunca acabar de atracar nem nunca começar a rumar
vivendo num limbo entre o real e uma mentira
não chegando a bom porto nem cruzando horizontes
como se se valessem somente da âncora do instante
sem passado nem futuro
presos num presente que se devora
qual uróboro essa serpente que sorve a própria cauda
à volta
o mundo corre
amplo e solto
sem um já
despejando permanentemente o pretérito no porvir
uma fénix que morre e renasce sem descanso
e o poema
sem tempo algum
nem antes nem depois nem agora
uma possibilidade que se propaga
ora em ínfimas leituras
ora em silêncios perpétuos
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