fundia-se com a noite
a vénia que desenhou
cortou a sombra num vai-e-vem preciso
disse
em tempos encontrei um haiku
descrevia um excesso de luar
que era reflexo de lâmpada numa taça de chá
sentou-se no banco que dava de frente para o quintal
olhou como quem despeja o olhar para lá das coisas
e até interromper o silêncio
parecia que o tempo não passava
como se a contemplação
num esforço contido
segurasse a grande vaga inevitável
mais à frente
voltou a falar
a flor
nasce
como um sol
no jardim de inverno
e então fez-se zénite
na declamação serena dos versos
as pétalas incandescentes a delinear a estrela por entre a madrugada
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