confiar que o rasgo consegue entrelaçar-se pela textura
ondear no caminho leve de uma inspiração
e desaguar em lavandas luz e realces
deixar-se guiar pela claridade da manhã
percorrer a trama do papel
navegando a ideia pelas curvas de um vaso
soluçar no jogo de sombras
até ao naufrágio do desenho final
quem sabe até
se no ar irreal não esvoaçam os pólenes de uma primavera vindoura
se não contagiam olhar e garganta até a um espirro contido
e outro a seguir
que um nunca vem só
a elegância é a revelação de uma simplicidade delicada
e a aquarela desvela-se inesperada
como aqueles barcos muito ao longe
no equilíbrio frágil da linha do horizonte
ora para cá
ora para lá
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