tantas palavras
uma imensidão delas
infinitos em cima de infinitos
e se contarmos as que se perderam pela história
ou mortas ou esquecidas
ainda mais se somam ao que já de si não se calcula
e no entanto
quantas palavras não existem para um luto um desalento ou uma injustiça
talvez somente faça falta uma para essas coisas
uma que nunca tenha existido
nunca forjada nas fornalhas do que um dia nos fez ser quem somos
palavras há que não existem
e que fazem falta
nem que seja no instante em que se revela esse vazio
esse lugar sem silêncio nem ruído
pensou
tantos momentos em que nos esquecemos
mas de repente a terra nos lembra e a gravidade faz o resto
pensou
houve alguém que contou como tentou ter um filho sem o corpo
nem o dele nem o da mulher
invocou um fantasma que nunca viveu
e desculpou-se depois
por o ter trazido assim ao mundo
órfão mesmo antes de ter pais
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