era uma irrealidade
foi só quando os olhos caíram nele que nasceu materializou-se e vozeou enfim
não só disse coisas que nunca foram ditas
como o disse numa língua nova e inédita
e eu
dei por mim
de vez em quando
a lembrar esse deslumbre e a concluir
que afinal
o lugar existia e era real
que o que dizia era antigo e tangível
eu é que não tinha ainda nascido para aquilo
e o que eu dizia era até então incompreensível face ao milagre
havia tanto infinito por lá
que foi preciso um vulcão para ancorar um pedaço de mundo
ou não fosse o universo inteiro passar por nós em silêncio sem darmos conta
naquele lugar
não havia como não dar conta
ali
a alma tinha mais caminho para lá do corpo
ela fundia-se em basalto sal e vento
para depois
num derradeiro suspiro de rendição
se precipitar por um céu que não acabava
e não mais voltar igual
ali
inevitavelmente
somos levados a renascer a transmutar e a tornarmo-nos diferentes
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