para moldar a luz ou ela moldar-nos as mãos
há primeiro que acreditar
mas ela não era de acreditar
não que fosse a desconfiança a razão
mas antes um desinteresse
uma forma de não trocar por nada o pedaço de liberdade que lhe cabia
sim
talvez fosse uma cisma
mas era irremediável
há espíritos que são indomáveis
que não quebram mesmo se torturados
as raízes que os sustentam descendem das entranhas dos mitos e lendas
são forjadas num fogo primordial que não se apaga nunca
ela teria sucumbido a tudo
às muralhas de uma prisão
aos abusos e às injustiças
à falta de alimento e de calor humano
mas ao descrer
ao não pedir que a luz fosse moldável
ela não vergaria
pois o milagre era ela
e não se vence quem se recusa a ceder
a seiva encontra sempre um caminho
o apelo do sol é irresistível
e a eternidade não chega para calar uma vontade
nem impedir que os versos se amontoem
pois a queda não tem fim
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