no fundo que não se vê nem se mostra
uma rede infinita de raízes bebe silenciosamente
sorvendo do húmus que fermenta desde que o chão é chão
desse ofício
com o sopro do tempo a sentir-se
surge por cima o fruto do esforço
ao longo das estações os ramos vão seguindo os caminhos invisíveis da gravidade
encontrando as fendas no contraste com o azul do céu e o casual voo de pássaro
nesse afinco espelham por cima o que as teias subterrâneas desenharam por baixo
e numa simetria etérea outros reflexos manifestam-se
as ruinas de um templo antigo
num amontoado de pedras com história
a teimosia de milénios não é coisa pouca
mas ainda assim
é um detalhe insignificante na perspectiva cósmica
e no final de todas as contas
o que sobra é o espelho dessa mesma pergunta
o que resta
e parece que por entre escombros esquecimentos e uma oliveira solitária
suspira através dos tempos
entrelaçando as texturas do passado e desaguando no mesmo lago de sempre
o das águas paradas do que não se sabe
e questionar e não saber
são o propósito de tudo isto
ps - Coluna de Peristilo, Vale dos Templos, Agrigento, Sicília, agosto 2016
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