ele era um dos que acordava ao nascer da lua
espreguiçando-se por debaixo das poalhas noturnas que rodopiam em volta dos lampiões
falava sozinho
e com todos
dizia coisas com uma vontade que parecia vir de uma libertação qualquer
falo daquilo que se agarra aos ossos
mais do que à alma
que saliva em si mesmo
e onde nós só podemos ranger os dentes e grunhir
arder em fúria como uma febre
gritar amarfanhados numa almofada
depois desaparecia
engolido por uma viela ou furtado por uma esquina
deixando para trás um horizonte mais longínquo
um abandono mais silencioso
um céu em escamas nevoadas
um mar tímido e cansado
e uma desculpa para alguns versos
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