a distância entre as coisas
é uma entidade em si mesma
dialoga como tudo o resto que se vai revelando por aí
mas nem sempre se decifra o que vai proferindo
ela flui e navega por um meio que ora dilata ora contrai
levando-nos atrás por essas correntes secretas
cruzando os intervalos que o olhar soluça e as esperas ditam
por vezes
no contraste entre o céu e um edifício que parece surgir do nada
uma lua desponta à deriva pelas marés celestes
aí
a vertigem implode num estremecimento interno
é então
que por milagre
o espaço que separa as coisas implode
tanto na origem como no destino
e qual íman entre os dois
olhar e lua desabam um sobre o outro
isso dura um instante
mas ainda assim o suficiente para que o tempo se perca
e dele sobrar um pouco menos de infinito
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