as nuvens engolidas num repente
que o que mostravam não era o reflexo mas o outro lado delas
como se voássemos por cima
e podemos imaginar que um mergulho
seria antes um salto por entre esse nevoeiro celeste
e passando por ele veríamos a terra ao longe
aproximando-se mais devagar do que se supõe
mas chegando com certeza
as florestas e os horizontes ao redor a escaparem-se pelo lado do olhar em queda livre
enquanto o lago se afunila no foco da visão até ser inevitável despenharmo-nos nele
quem sabe se ao nos abismarmos outra vez pelo manto de água
não ocorra uma queda perpétua em ciclo
do lago ao céu do céu ao lago
e passaríamos por este poema e por esta imagem vezes sem conta
em leituras e deslumbres
em releituras e vertigens
em silêncio e abandono
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