e o vestido cai até hoje
ele encontra dentro da memória
esse lugar preciso de uma ideia do amor
mas o resto parece esfumar-se nos dedos do cigarro que ela vai fumando
eles conviviam esporadicamente
trocavam algumas palavras até só haver silêncio e a vertigem dos corpos
para ela o tempo deles era um entretanto necessário
para ele era uma entrega narcísica e altruísta ao mesmo tempo
não se moviam na mesma realidade
e só quando entrançavam as línguas é que convergiam
ela não estava bem ali
ele estava em demasia
e nem por isso o equilíbrio singrava
provavelmente hoje
passadas tantas outras desventuras
ela não tem por onde se perder em lembrança
e ele não há dia que por lá não mergulhe
eu
a ver de fora
percebo ambos
nem um nem outro escapam a um destino traçado
ninguém escolhe as suas tragédias
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