os assombros duram um instante
e podem escapar ao leitorcertas hesitações no desbravar do caminho
elas escondem-se por detrás da escrita
até se derramarem numa aparição
como a lembrança de uma praia sem fim e um mar a rugir pela tarde
a orla a recolher ondas que terão nascido há mil anos
e que finalmente se espraiam a nossos pés
a distância a pulsar pela luz coalhada desse dia
porque não havia ninguém para além da nossa solidão
num abandono que cedia antes de chegar ao horizonte
mas dou-me conta agora
que já estes versos se escreviam nesse lugar
e o caminho de volta fez-se agora e no eco de eventuais futuras leituras
ps - Monte Alto, Arraial do Cabo, Brasil, agosto 2023
2 comentários:
A solidão a emoldurar o poético cenário se consubstancia na densidade semântica de seus versos. Assim é esse lindo poema de Filipe da Silva, um cromo literário a nos deixar contemplativos, pela envolvente sinestesia a despertar no leitor, forçando-nos a ver e a vocalizar, simultaneamente, cada verso que compõe o poema.
A solidão a emoldurar o poético cenário se consubstancia na densidade semântica de seus versos. Assim é esse lindo poema de Filipe da Silva, um cromo literário a nos deixar contemplativos, pela envolvente sinestesia a despertar no leitor, forçando-nos a ver e a vocalizar, simultaneamente, cada verso que compõe o poema.
Ass. Luiz César Saraiva Feijó.
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