as labaredas do que disse alastraram pelo silêncio interrompido da noite
quando deflagrou as chamas ergueram-se até não caberem no céu
e um clarão imenso fulminou pela noite num segundo apoteótico
no fim
na areia de cinzas do que sobrou
caminhou até às ondas deixando o rastro de um caminho decidido
não voltaria
e hoje
quando as madrugadas não têm lua e a chuva cai
alguns vão esperá-la na praia
rezam para que volte
para que reacenda as almas
ficam por lá até que a chuva pare ou o dia nasça ou o cansaço vença
mas hoje
aquilo que lembro
mais do que esse lume
mais do que esse exílio inesperado
era o branco silencioso dos versos por escrever
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