dia 26 - insanidade

atravessaram o tempo
qual cicatriz num corpo que hoje se recolhe em amnésia

o inferno que encarnaram dorme por debaixo de camadas mudas
recolhidos por mil outonos passados

sinto que o medo esculpiu a golpe de loucura o silêncio final

agora o vento sereno pode escapulir-se por entre as árvores
como um bicho guiado pelo mistério do instinto
mas eu estagno como presa face a uma incompreensão
perdido entre a imaginação do que teria eu feito num lugar destes
e que morte me caberia provar
a de outros
a minha
ou a de todos

nestas coisas
cronos avança sem freio
e nós teimamos em esquecer
talvez para nos desculparmos dos erros que repetimos uma e outra vez
ou somente por intuição

ninguém avança ancorado ao pretérito
ninguém recua quando lançado em queda livre pela insanidade


ps - Bunker da 1ª Guerra Mundial, Burnhaupt-le-Bas, Alsácia, França, janeiro 2021

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