dia 25 - ciclo poético

os assombros duram um instante
e podem escapar ao leitor
certas hesitações no desbravar do caminho

elas escondem-se por detrás da escrita
até se derramarem numa aparição

como a lembrança de uma praia sem fim e um mar a rugir pela tarde

a orla a recolher ondas que terão nascido há mil anos
e que finalmente se espraiam a nossos pés

a distância a pulsar pela luz coalhada desse dia
porque não havia ninguém para além da nossa solidão
num abandono que cedia antes de chegar ao horizonte

mas dou-me conta agora
que já estes versos se escreviam nesse lugar
e o caminho de volta fez-se agora e no eco de eventuais futuras leituras


ps - Monte Alto, Arraial do Cabo, Brasil, agosto 2023



2 comentários:

Anónimo disse...

A solidão a emoldurar o poético cenário se consubstancia na densidade semântica de seus versos. Assim é esse lindo poema de Filipe da Silva, um cromo literário a nos deixar contemplativos, pela envolvente sinestesia a despertar no leitor, forçando-nos a ver e a vocalizar, simultaneamente, cada verso que compõe o poema.

Anónimo disse...

A solidão a emoldurar o poético cenário se consubstancia na densidade semântica de seus versos. Assim é esse lindo poema de Filipe da Silva, um cromo literário a nos deixar contemplativos, pela envolvente sinestesia a despertar no leitor, forçando-nos a ver e a vocalizar, simultaneamente, cada verso que compõe o poema.
Ass. Luiz César Saraiva Feijó.