perdidos nos labirintos de todas as possibilidades
fica aquilo que parece ser uma premonição
versos a virem do futuro
nascendo no alto da leitura e bamboleando até à escrita
e no contágio desse ímpeto chegam à ponta dos dedos
subindo de seguida pela vibração interior da mão que segura a caneta
trepando pelo braço dentro até à centelha da criação que por vezes faísca nas catacumbas do pensamento
no fim dessa viagem inversa
vagueiam no caldo original de uma inspiração
até por último se fundirem com o silêncio
e tua silhueta eternizar-se na iminência de uma escolha
mas eis que o pêndulo retoma o caminho por onde veio
devorando a inércia até ao esqueleto e embalando para uma oscilação mais
onde surge uma fagulha que vozeia
um impulso que desce braço fora até reverberar pelos dedos
e os versos desaguarem nessa foz criativa para que uma leitura ecoe algures num porvir
aquilo que parecia uma premonição
é afinal a causa de um efeito
e do desencontro das palavras no infinito de todas as possibilidades
acabam só por sobrar duas coisas
tu no perpétuo limiar de uma escolha
e
do lado de cá
num lugar irreal inundado de madrugada
um poeta confuso num emaranhado quântico-literário
ps - Theatro, Póvoa do Varzim, agosto 2018
Sem comentários:
Enviar um comentário