dia 3 - simetria

existem outonos que não terminam nunca
erguem-se ao ritmo da seiva
e tombam em cadência lenta

dizia estas coisas para ele próprio
sem audiência e no escuro de um quarto

quando se chegava à janela
e lá fora o silêncio era ainda mais denso
sustinha a respiração até não poder mais
e um sopro lhe fugir pela boca embaciando o vidro brevemente

esta árvore tem séculos
e sei-lhe o segredo

antes de fechar a janela
completou

é o segredo da simetria
onde os ramos são raízes
e as raízes galhos num céu de húmus


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