surrealismamente

move-te pela noite
até amanhecer o teu cansaço
e na praia o vento chamar-te pelo nome secreto com que te batizaste na véspera

cai no manto da aurora
mesmo que a queda não acabe nunca
e que na vertigem te escapem os sonhos pelos dedos como num quadro de Dali

sua todo o ontem que devoraste no raiar do dia
destila-te além de ti
esgota-te para que nada reste para os necrófagos
nem uma única migalha
nem sequer uma reminiscência

sê menos que um triz
mas que valha a pena

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