toda ela rodeada do mais profundo dos breus
como se a noite tivesse vindo do início dos tempos e coberto o mundo inteiro
por entre as camadas negras da madrugada
vasculhou até sangrar dos dedos
e da ferida apenas um cheiro coalhado se ergueu até ao rosto oculto
a manhã chegaria com certeza
mesmo que com o atraso de muito poema por escrever
não há silêncio que não sucumba a uma fraqueza
quando enfim o sol nasceu e o dia foi crescendo até ser azul por inteiro
ascendeu
levado por querubins invisíveis
talvez tenha pago dívidas antigas
talvez nessa procura da centelha primordial tenha encontrado o segredo dos deuses
há penitências que desconhecemos até que se revelam e ganham vida própria
e perante o palco da vida se despedem e se retiram
1 comentário:
Este poema, bateu fundo. É sobre atravessar o escuro, sangrar um bocado e ainda assim acreditar que a manhã chega. Seguimos Juntos, Derlei
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