deu-se conta que nem o presente nem o futuro se agarram
tudo é pretérito
no exato instante em que alguma coisa se gera
ela se afunda na torrente irrefreável do tempo
assim tudo é passado
e há nisso uma melancolia extrema
como se na verdade já tudo acontecera
mas curiosamente
perante essa evidência
algo acalenta uma esperança
um instinto desvairado que luta contra o inabalável
uma teimosia que se calhar
essa sim
é o que mais se aproxima de ser presente
que implode a cada segundo e que renasce no seguinte
e assim sucessivamente
sempre derrotada
mas sempre de regresso
e ao ser nem que seja uma centelha do agora
acaba por lançar a sua própria insignificante sombra no futuro
e assim
mesmo que presente e futuro não se agarrem
eles insistem e desistem para todo sempre
ps - Ilha de Porto Santo, Madeira, julho 2022
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