contou-me uma história
apaixonara-se por uma mulher de nome de Lara
que mais tarde descobri ser o nome de uma primeira namorada do primo
e que quando ele ouvira o nome na infância
de tal forma se encantara que talvez aí tenha imaginado a sua
paralelamente a esse amor
vivia perseguido por uma espécie de grupo organizado
uns caçadores de escrita disse-me
vestidos de fato preto e gravatas da mesma cor apertadas nos colarinhos de camisas brancas já gastas
vivia uma realidade peculiar
e ao mesmo tempo que era precisa e rica em detalhes
também era abstrata e difusa
optei por confrontá-lo
segui-lo pelos delírios a ver se a verdade se revelava por si só
disse que tivera de escapar
deixá-la para trás para fugir a essa gente
que se exilara num destino antigo de férias
onde em tempos ela e ele se amaram com a sede e a fome das paixões
foi-lhe escrevendo mas nunca recebeu resposta
até que descobriu que estava para morrer
com essa notícia decidiu enviar-lhe uma última carta e recolher-se a lembrá-la por dentro
queimar em monólogos internos os dias que lhe restavam
e eu que o segui pela narrativa
dou comigo à beira de um mar final
as mãos por doer pelo que ainda não foi escrito
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