bastava um olhar e um vento quente de leste a correr
para que num instante ela mergulhasse numa íris ou pupila
das azuladas às esmeralda passando pelas outonais e noturnas
sim entreguei-me a certas febres e delírios
sentia dentro de mim um estremecimento selvagem
enquanto dizia estas coisas
encostava-se na última cadeira do café e já não me olhava
era mais forte do que eu mas também mais forte do que qualquer um
eu uivava a minha loucura para cima de quem encontrava
e era vê-los esses machos tão cheios deles próprios
a escapulirem-se com medo e vertigens
até eu me temia diga-se
eu ouvia em silêncio e atento
ela olhava pela janela
o vidro sardento de gotas de chuva onde a rua era refletida mil vezes
talvez bebamos mais um copo
e quem sabe
pode ser que o meu olhar cansado pálido e ébrio
seja suficiente para que a noite se incendeie uma vez mais no rosto dela
e eu encare essa tempestade de frente
também tenho os meus devaneios de coragem
nem que seja para os desmascarar
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