onde envelhecem palmeiras devagar
encontram-se os suspiros de sempre
e as sedes nunca saciadas do presente cansam-se sozinhas
até serem abandonadas pela nossa própria resignação
há sempre um triz de desistência antes da esperança regressar
um instante em que já nem o corpo clama por uma alma que o preencha ou o carregue
um céu órfão de voos das aves que há muito se evadiram
pedras silenciosas por debaixo das ondas
banhadas por espumas que vão e espumas que vêm
e marés indecisas que ora recuam ora avançam
no exame celeste
o olhar desliza pelo firmamento
resvalando nas subtis matizes azuladas do éter
num instante mais profundas
noutro mais leves e luminosas
enquanto o olhar desaba e naufraga
sobra sempre essa vertigem de infinito
e até aprendermos a caber num poema
os versos suspendem-se e aguardam
numa espera que arde em lume mudo
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