e o quarto tenha atracado na madrugada
um porto deserto de memória
onde os únicos vestígios são roupas espalhadas pelo chão
e uma almofada a mais esquecida na borda da cama
nas paredes uma ténue maré de sombras a jogar à preguiça e ao adiamento
a soluçar pelos traços dos quadros silenciosos
dois corpos adormecidos
um nas profundezas de um sonho
o outro abandonado após ter velado tudo isto
existe um rumor subtil num quarto dormente
que conta os segredos que importam
que nada existe
nem dentro nem para lá dos versos
a poesia vive numa lâmina
numa tangente cósmica da existência
que ora implode ora detona
e nesse propagar
seja para dentro
seja para fora
compõe o tecido do universo
ps - Lençóis Maranhenses, agosto 2025
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