que a minha pontuação se rege pelo sopro dos versos
que não existem pontos nem vírgulas que não sejam ditados pelo pulmão
as perguntas ou exclamações revelam-se na fluidez do que é dito
é certo que por vezes se confundem as intenções e a rebeldia inata das palavras
mas isso é o que acontece quando arde a poesia no incêndio que é
não distingo prosa ou poema
somente fôlegos
uns cavalgam até ao desmaio
outros cravam-se num instante fulminante de libertação
a epifania do que vou dizendo
é órfã de leis e dependente de cada leitura selvagem
não sou eu que escolho estas coisas
elas vão nascendo e morrendo com cada leitor
esmorecendo até o próprio eco emudecer
sem rastro nem memória
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