na aparente ordem a desordem
porque existe um jogo de sombras
que empata na geometria final
pergunto-me se os infinitos também acabam
se se cansam de tanto ser e se se desalentam até se renderem
haverá um limite para lá das formas e até mesmo da poesia
um cessar de tudo o que pulsa
só o que finda pode dar lugar a um recomeço
e a esperança e o assombro
hão de pedir um silêncio para clamar
só quem sorve as madrugadas de insónia e de versos arrancados à loucura
pode imaginar uma manhã que nunca acaba de nascer
como se o tempo não se cumprisse e ainda assim todo ele se desenrolasse de uma só e única vez
tudo e nada
implodindo até ao âmago
até a um arrepio cósmico na alma que nos calhou
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