têm os seus próprios invernos
nas cadências silenciosas
a seiva hiberna numa rotina adormecida
e num instante indefinido e difuso
qual predador invisível
anunciam uma ideia de flor
há um milagre que acontece pela calada da noite
e até as manhãs se surpreendem quando a luz resvala num nó de pétalas
e obriga a uma sombra nova que não existia na véspera
às vezes
só às vezes
acontece o mesmo num rascunho de verso ou num esquiço de quadro
se calhar falam a mesma linguagem
um dialeto furtivo e clandestino
proferido nos recantos encobertos e ocultos do que existe
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