dia 11 - luto impossível

a carcaça de um piano
o luto impossível de melodias inacabadas nos ventos que vêm de longe
que deslizam por uma língua de mar até lamber o porão de uma alma abandonada
como um quadro atracado no deserto perdido de escamas

o rosto sem esgares nem alívios
silhueta derramada nas areias esquecidas de um tempo que se calhar nem passara

quem sabe se estas coisas são verdade
ou plágios de uma outra vida

certo é que vibra algures entre o silêncio e o que é dito
um rumor indomável e selvagem

só assim se explicam a soturnidade e outras melancolias

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